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Como deve ser a dieta de quem usa Ozempic e Saxenda?


Ozempic e Saxenda são medicações do grupo agonistas do receptor de GLP1 - hormônio produzido pelo intestino que sinaliza ao cérebro que estamos alimentados - seu uso causa redução do apetite, o que facilita o emagrecimento. O uso deve ser realizado com avaliação e prescrição médicas, considerando que existem contraindicações e efeitos colaterais.

Refluxo, náusea e vômito são possíveis efeitos colaterais que podem impactar o consumo alimentar, tanto a frequência de alimentação, quanto o tipo de alimento escolhido. Diarreia e constipação também podem ocorrer e ambos alteram a microbiota intestinal, o que pode ser prejudicial no longo prazo. Por estes motivos, a dieta de quem faz uso destas medicações deve: (1) visar o emagrecimento com qualidade, (2) controlar possíveis episódios de refluxo, náusea e vômito e (3) prevenir e tratar alterações negativas na microbiota intestinal.



Assim como em toda a dieta saudável, a dieta nestes casos deve garantir uma boa hidratação com água e ser baseada em comida de verdade (alimentos in natura e minimamente processados), como verduras, legumes, frutas, carnes e ovos. Abaixo, algumas orientações diferenciais para estes casos:

  • Estabeleça horários rígidos para comer:

A medicação inibe o apetite e é isto que queremos, mas o consumo de alimentos saudáveis precisa acontecer - ainda que em pequena quantidade - para dar suporte ao corpo e manter a vitalidade. De acordo com a resposta à medicação e a rotina, estabeleça horários e realize de 3 a 5 refeições ao dia (ex: 8h café da manhã, 12h almoço, 16h lanche da tarde e 19h jantar).

  • Faça refeições com bom aporte proteico:

A redução de massa muscular pode vir junto de um processo de emagrecimento, especialmente quando o resultado vem rápido, mas isto pode ser minimizado com dieta rica em proteínas aliada à prática de exercícios de força. A proteína deve ser fracionada ao longo do dia, por isso inclua em todas as refeições algum alimento/suplemento fonte, como: cottage, iogurte proteico, ovos, atum em lata, feijões, tofu, carnes, whey protein, proteína vegana e colágeno.

  • Evite alimentos gordurosos, mesmo os saudáveis:

Na presença de náuseas e vômito, evite o consumo de alimentos ricos em gordura como frituras em imersão, folhados, doces ricos em gordura (chocolate e sorvete), carnes com mais gordura (como picanha e salmão com pele), molhos com creme de leite e nata e até mesmo abacate. Estes alimentos podem piorar estas reações.

Preparos leves e frutas ácidas são bem-vindos.

  • Exclua as bebidas alcoólicas:

Bebidas alcoólicas são calorias vazias, considerando que o consumo alimentar apresenta-se reduzido nesta fase, "encher o buchinho" com um líquido pouco nutritivo, tóxico e calórico não faz sentido. Aproveite o momento de consumo alimentar para comer/beber opções saudáveis que fazem bem ao corpo.

Ainda, você está em tratamento medicamentoso, o que já impacta o fígado. Dê a ele uma folga.

  • Use chá de gengibre:

Este chá pode auxiliar na redução de náuseas e vômitos, caso estejam presentes. Tome de 2 a 3 xícaras ao dia. Há também a possibilidade do uso dele na forma de extrato encapsulado, mas é recomendável que isto seja feito com orientação de uma nutricionista para indicação de dosagem, marcas ou farmácias confiáveis.

  • Consuma alimentos fonte de fibras:

Fibras são bem-vindas para controle dos açúcares e gorduras no sangue e saúde intestinal, mas a quantidade delas na dieta deve mudar conforme aceitação individual e hábito intestinal.

Na presença de diarreia, dê preferência por verduras e legumes cozidos, evite frutas com casca e inclua psyllium à dieta. Já na presença de constipação, use folhosas (alface, rúcula...) e outros vegetais crus (tomate, rabanete...) em maior quantidade.

Em alguns casos, a inclusão de suplementação de fibras pode ser essencial, avalie isto com o profissional que acompanha.

  • Consuma alimentos fonte de polifenóis:

O intestino adora água, fibras e polifenóis. Estas substâncias são encontradas em verduras, legumes, frutas, café, chás e chocolates amargos. Inclua estes alimentos na rotina. Dê cor aos seus pratos e aproveite os benefícios das plantas.

  • Consuma alimentos fonte de probióticos:

Iogurtes, kefir (de água ou leite), fermentados (como chucrute) e kombucha são bem-vindos à dieta com o intuito de favorecer a saúde e o bom funcionamento do intestino. Também há a possibilidade de uso na forma de suplemento, mas aqui cabe a orientação de um profissional para avaliar dosagem, tipos de cepas e duração do uso.


EXEMPLO DE CARDÁPIO


Café da manhã:

Pão integral + queijo cottage + ovo cozido + mamão + café sem açúcar.


Almoço:

Arroz + lentilha + tilápia grelhada + tomate fatiado + rabanete fatiado + tempero para salada (fio de azeite, vinagre de maçã/limão e pitadinha de sal, se necessário).


Lanche:

Kefir + granola sem açúcar + banana + chá de gengibre.


Jantar:

Purê de batata doce + sobrecoxa de frango sem pele grelhada + couve refogada + cenoura ralada + tempero para salada (fio de azeite, vinagre de maçã/limão e pitadinha de sal, se necessário) + chá de gengibre.


Se você pensa em utilizar estas medicações, consulte um médico endocrinologista para avaliar a necessidade e obter a orientação adequada. Indico a Dra Roberta Allgayer (link).

Considere que as medicações são facilitadores do processo e não soluções mágicas. A mudança de estilo de vida (dieta saudável, prática de exercícios físicos, regulação do sono e manejo das emoções) é essencial para um tratamento de sucesso e manutenção de um peso saudável no longo prazo.

Todas as informações aqui tem caráter informativo e não substituem orientações feitas por profissionais da saúde em consulta.

Consulte um nutriconista para obter orientações que considerem as suas necessidades e preferências.


Espero ter ajudado. Compartilhe este conteúdo com quem pode se interessar. :)


Com carinho,


Nutricionista Júlia Lorenzon











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